[Série] Uma breve história do exercício - post 1

 

Em dezembro de 2017, o Health & Fitness Journal do American College of Sports Medicine publicou o resultado de sua pesquisa acerca das tendências de fitness & saúde apontadas por especialistas da área para o ano de 2018. Nesta, algumas organizações de grande credibilidade participaram, emprestando peso ao documento: American College of Sports Medicine (ACSM), American Council on Exercise (ACE), National Council on Strength, and Fitness (NCSF) e The Cooper Institute®. Dentre as 20 principais tendências mundiais para 2018 (ACSM's Health & Fitness Journal, 2017), abaixo, destacamos as TOP FIVE:

 

1º lugar: High-Intensity Interval Training (HIIT) - Treinamento Intervalado de Alta Intensidade;

2º lugar: Group Training – Aulas Coletivas;

3º lugar: Wearable Technology - “Tecnologias Vestíveis”, ou seja, dispositivos tecnológicos que podem ser utilizados pelos usuários como peças do vestuário;

4º lugar: Body Weight Training – Treinamento com o Peso Corporal;

5º lugar: Strength Training – Treinamento de Força.

 

DE ONDE VIEMOS, COMO ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS

 

Nessa “Quarta Onda” que experimentamos em nossos dias, a Era do Conhecimento, cada vez mais a tecnologia tem invadido nossas vidas, e não seria diferente com a Educação Física e com a prática de exercícios físicos. Eletroestimulação muscular (EMS), relógios inteligentes, monitores de freqüência cardíaca, dispositivos de rastreamento GPS e óculos inteligentes (projetados para mostrar mapas e rastrear atividade), por exemplo, têm buscado e encontrado o seu espaço, como apontado por essa pesquisa nos últimos dois anos (Wearable Technology – TOP 3). Em paralelo, as Aulas Coletivas e o Treinamento com o Peso Corporal aparecem como TOP 2 e TOP 4, respectivamente, desmonstrando que a tecnologia é uma aliada, não uma sucessora absoluta do exercício físico, pelo menos até o presente momento. Muito bem, mas... numa perspectiva mais de longo prazo, PARA ONDE VAMOS? Como nos ensina Yuval Noah Harari em Sapiens: Uma breve história da humanidade, conhecer e compreender o nosso movimento ao longo do tempo, nos dá grande possibilidade de vislumbrar o que pode vir mais à frente.

 

O CORPO HUMANO É UMA MÁQUINA QUE FOI CRIADA PARA REALIZAR MOVIMENTO

 

Ao longo da nossa história, criamos, desenvolvemos e aperfeiçoamos nossa capacidade corporal, nossas habilidades relacionadas ao movimento. O homem primitivo usou e abusou do movimento humano. De forma espontânea e ocasional, inaugurou toda a gama de movimentos naturais frente às situações de atacar e defender-se: do correr até o nadar; do subir em árvores até o escalar encostas; do arremessar objetos até a luta corporal. Australopithecus, Homo Habilis, Homo Erectus, Homem de Neanderthal, Homem de Cro-magnon e Homo Sapiens, uns mais outros menos, todos precisaram e utilizaram o movimento corporal para sua sobrevivência. Ao longo dessa experiência, introduzimos o movimento humano em nossa rotina diária, consequentemente, com a evolução da nossa inteligência assumimos o movimento enquanto prática corporal, ou seja, de exercícios físicos. Por intermédio da Arqueologia, descobrimos as civilizações antigas e descortinamos alguns dos seus costumes e, em todas as civilizações mais desenvolvidas, como a chinesa, egípcia, hindu, babilônica, hitita, persa, japonesa, romana e grega, encontramos registros da utilização dos exercícios físicos e de sua importância para a sua respectiva cultura. À civilização grega, inclusive, cabe a responsabilidade de autoria do termo ‘Ginástica’ (provavelmente entre 323 e 178 a.C.), que deriva do grego Gymna-zein, que significa “exercitar-se” (TUBINO; GARRIDO; TUBINO, 2007).

Na Idade Média, considerado um período de trevas na história da humanidade, assim como outros segmentos da cultura, as práticas corporais sofreram impacto, todavia, de sua prática deturpada e debilitada no início desse período, a preparação militar, tão importante para essa época, foi estruturada sob a realização de exercícios corporais. Para além destes, os exercícios naturais persistiram enquanto prática social. Na Idade Moderna, o exercício físico foi definitivamente recuperado, e encontrou a oportunidade de fundamentar-se pedagogicamente. Filósofos, pedagogos e os chamados homens do saber contribuíram para a teorização e construção dos conhecimentos pertinentes à prática do exercício corporal, aproximando a prática natural do exercício à cultura e, consequentemente, fundamentando as bases iniciais da Ginástica. Neste período, encontramos a publicação do primeiro livro sobre o tema: Arte Gymnastica (1569), de Hyeronymi Mercurialis. No final deste período, surgiram as escolas pedagógicas francesa, inglesa, alemã e escandinava, que consolidaram os seus sistemas regulares de Ginástica nos anos iniciais da Idade Contemporânea (TUBINO; GARRIDO; TUBINO, 2007; RAMOS, 1982). Alemanha, França e Suécia, com o “Turnen”, a Ginástica Sueca e os Métodos Francês e Natural, respectivamente, estabeleceram as bases da Ginástica que influenciam a sua prática até os nossos dias. Atualmente, esses métodos europeus de Ginástica são conhecidos como Métodos Contemporâneos da Educação Física (COSTA, 1996).

 

 Fonte: https://archive.org/

 

 

GINÁSTICA, A MÃE DA EDUCAÇÃO FÍSICA

 

Até o surgimento do termo ‘educação física’, utilizado pela primeira vez pelo suíço Jean Ballexserd, em 1762, na França, a palavra Ginástica exprimia o próprio significado e essência da Educação Física, à época. Posteriormente, John Locke se utilizou do termo Educação Física, na Inglaterra. No séc. XX, de forma definitiva, o termo Educação Física viria substituir o termo Ginástica, enquanto área de conhecimentos que abrange a prática de exercícios físicos em suas diversas perspectivas (TUBINO; GARRIDO; TUBINO, 2007). Ainda no séc. XVIII, a Calistenia, método de exercícios corporais que se originou na Grécia Antiga, é resgatada na Europa chegando, posteriormente aos EUA. Neste, encontra na Associação Cristã de Moços (ACM) uma instituição fértil para o seu desenvolvimento metodológico e, posteriormente, capilarização pelo mundo por intermédio de suas ACMs.

Com o surgimento dos ginásios, estúdios e escolas de exercícios físicos, no séc. XX, atualmente conhecidos como Academias de Ginástica, a Calistenia foi o método que mais influenciou o nosso modelo atual de Ginástica (COSTA; PERELLI; MATARUNA-DOS-SANTOS, 2016) que, a partir do desenvolvimento científico e tecnológico, ampliou, aprofundou e especializou as suas abordagens metodológicas. Mas, este papo, fica para o nosso próximo encontro de UMA BREVE HISTÓRIA DO EXERCÍCIO FÍSICO - Série Ginástica.

 

REFERÊNCIAS

 

AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Worldwide survey of fitness trends for 2018. ACSM’s:  Health & Fitness Journal: November/December 2017 - Volume 21 - Issue 6 - p 10–19.

COSTA, M.G. Ginástica Localizada. Rio de Janeiro: Sprint Editora, 1996.

COSTA, M.G.; PERELLI, J.M.; MATARUNA-DOS-SANTOS, L.J. História da Ginástica no Brasil: da concepção e influência militar aos nossos dias. Navigator: subsídios para a história marítima do Brasil. Rio de Janeiro, V. 12, no 23, p. 63-75, 2016.

RAMOS, J.J. Os exercícios físicos na história e na arte. São Paulo: Ibrasa. 1982.

TUBINO, F.M.; GARRIDO, F.A.C.; TUBINO, M.J.G. Dicionário Enciclopédico Tubino do Esporte. Rio de Janeiro: SENAC Editoras, 2007.

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