Padrão motor de agachamento

 

O agachamento é o exercício isolado mais importante em um programa de treinamento de força e potência. Sua associação com o desempenho de diversos parâmetros fundamentais para o sucesso esportivo e das tarefas da vida diária e bastante estabelecida (Wisloff et al 2004)  Entretanto, em função da complexidade de execução do movimento, ele também pode ser a maneira mais rápida de produzir uma lesão em um aluno/atleta quando mal executado, o que convenhamos, não é incomum!!!!!

Um padrão de movimento ótimo ocorre com a postura apropriada, sem a presença de dor ou desconforto, e com o alinhamento articular e a coordenação muscular apropriada. Costumo falar para meus atletas que antes de dar ênfase no desempenho devemos priorizar a beleza e elegância dos movimentos, ou como o renomado treinador americano Dan John coloca no seu livro Intervention: course corrections (2013) “constantly strive for mastery and grace”. Movimentos graciosos são mecanicamente eficientes, parecem acontecer quase que sem esforço por parte do atleta. Além disso, a qualidade técnica garante certa “suavidade” ao movimento que faz com que o sistema musculoesquelético seja menos sobrecarregado reduzindo teoricamente o risco de lesão.

Movimentos inadequados geralmente resultam de músculos estabilizadores fracos, que não são ativados no momento certo, ou ainda que não possibilitem o arco de movimento completo. No caso de exercícios complexos como o agachamento, ou como coloquei no artigo anterior, EXERCÍCIO TARJA PRETA, saber identificar e corrigir tais “problemas” pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Avaliar o padrão motor do agachamento pode ajudar muito o treinador a identificar as deficiências motoras e a propor, quando necessário, um programa auxiliar de exercícios corretivos a fim de garantir a perfeita execução. Uma maneira extremamente simples de avaliar o padrão de agachamento é pedir ao aluno/atleta que realize um agachamento sem sobrecarga (agachamento com o peso corporal), normalmente realizado com as mãos na nuca. Em uma análise frontal, o treinador deve procurar por perdas de alinhamento do joelho com relação ao tornozelo e quadril (joelhos para dentro – valgo; ou joelhos para fora – varo). Analisando lateralmente, deve-se observar se o tronco está sendo muito projetado à frente, ou se ocorre perda da posição neutra da coluna – tanto lombar como torácica. Ainda na visão lateral, observar se o joelho está sendo exageradamente projetado com relação à ponta dos pés (uma ligeira ultrapassagem é necessária para garantir a amplitude total sem necessidade de compensar flexionando demais o tronco) e se o calcanhar perde o contato com o solo indicando uma transferência de força para a parte anterior do pé.

Para indivíduos iniciantes no treinamento de força é natural que se observem uma ou mais falhas no movimento, o que não implica necessariamente que existe alguma disfunção. Desde o início da onda do treinamento funcional há pouco mais de dez anos (e com ela a crescente utilização de exercícios corretivos que, diga-se de passagem, são fundamentais em muitos casos) eu tenho falado algo extremamente simples de entender: AS PESSOAS SE MOVIMENTAM DE FORMA ERRADA SIMPLESMENTE PORQUE NINGUÉM SE DEU O TRABALHO DE ENSINÁ-LAS!!!!!!! Dessa forma, preocupar-se em ensinar a mecânica adequada do agachamento e de qualquer outro movimento deve ser a prioridade de qualquer treinador. Uma vez que o movimento esteja dominado podemos “utilizá-lo” para gerar os estímulos fisiológicos que levarão aos ganhos em força, potência, hipertrofia, etc.

Se após o ensino adequado da técnica correta ainda assim as “falhas” citadas acima forem observadas, ou uma combinação delas, a utilização de exercícios corretivos para o padrão correto de agachamento será fundamental antes de se iniciar o trabalho com carga. Quando se coloca carga em um movimento mal executado (e isso não vale somente para o agachamento, mas para todos os exercícios) o resultado acaba sendo um aluno/atleta lesionado.

Em geral, os problemas citados acima são simples de corrigir com algumas sessões de treinamento, salvo os casos de mobilidade extremamente reduzida onde além dos exercícios corretivos (aprimorar a mobilidade - nesse caso o efeito é mais de longo prazo) devem ser incluídas algumas modificações para tornar o exercício mais seguro e eficaz (ex. colocar calço para permitir um agachamento com mais amplitude e com melhor posicionamento do tronco).     

 

Procure avaliar adequadamente os movimentos de seus alunos/atletas e lembre-se: Jamais sobrecarregue um movimento mal executado!!!!!!

 

Kritz, M; Cronin, J & Hume, P. The Bodyweight squat: o movement screen for the squat pattern. Strength and Conditioning Journal 31 (1) 75-85. 2009. 

Wisloff U, Castagna C, Helgerud J, Jones R & Hoff J Strong correlation of maximal squat strength with sprint performance and vertical jump height in elite soccer players. British Journal of Sports Medicine (38) 285-288. 2004

Jonh, Dan Intervention: course corrections for the athlete and trainer. 2013 On Target Publications. Aptos, USA

 

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