O Exercício Físico não tira a necessidade de sermos Ativos Fisicamente. Como Assim?

 

Acredito que o mundo já tenha entendido a importância do exercício físico, não somente para a estética, mas, principalmente para a saúde. Seus benefícios são amplos e parecem intervir positivamente na recuperação de uma série de doenças crônicas (Pedersen e Saltin, 2015) e isso é maravilhoso. Mas, você já parou para pensar naquele aluno que treina contigo três vezes por semana, melhora o condicionamento físico, mas ainda assim continua sentindo alguns “desconfortos” e não consegue evoluir como você esperava e gostaria? Pois é, cabe tentarmos entender um pouco por quê isso acontece, e um artigo publicado em junho deste ano nos traz uma reflexão importante (Carter et al., 2018).

Mas antes de falar da pesquisa, vale fazer uma pequena contextualização simples sobre o título deste artigo aqui, porque devemos entender que exercício físico é diferente de atividade física. Exercício Físico deve ser compreendido como algo sistematizado, programado e direcionado com o objetivo de progressão de sobrecarga e com manipulação das variáveis que influenciam o volume e a intensidade. Já a atividade física é algo que precisamos fazer em nosso dia a dia e que não obedece aos princípios do exercício físico. Levar o cachorro para passear, lavar louça, varrer a calçada, subir numa árvore para pegar uma fruta (este está difícil de acontecer nos dias atuais!!!!), etc...

Sendo assim, ainda que um indivíduo passe uma hora por dia na academia, isto poderá estar competindo com outras 23 horas de sedentarismo!!!! E aí a questão não é treinar o dia inteiro, mas sim se tornar de fato mais ativo em um ambiente moderno que nos empurra cada vez mais para a inatividade crônica. Precisamos nos mover mais e os anos que estão por vir devem nos rechear de pesquisas científicas mostrando isso. Portanto, vamos precisar quebrar muitos paradigmas, principalmente nos ambientes de trabalho, que é o local onde passamos a maior parte do nosso tempo, e fazemos isso de forma sedentária, que é o grande problema; e a solução, muitas vezes, pode até ser razoavelmente simples.

Falemos agora do artigo que mencionei no primeiro parágrafo, um trabalho de simples aplicação e com medidas relevantes sobre os efeitos deletérios de se ficar muito tempo parado. Como foi isso? 15 voluntários precisavam ficar sentados por 4 horas em três situações diferentes. Na situação A foram 4 horas seguidas sem nenhuma atividade; na situação B eles levantavam a cada 30 minutos para fazer uma caminhada leve de 2 minutos apenas; na situação C eles levantavam após 2 horas sentados (ou seja, bem na metade das 4 horas) e faziam uma caminhada leve de 8 minutos. Estas três situações eram realizadas em dias alternados e de forma aleatória. A situação em que uma caminhada de 2 minutos era realizada a cada 30 minutos mostrou os melhores resultados para medidas de fluxo sanguíneo cerebral. Estas respostas mostram a importância da atividade física e de não ficar muito tempo sem MOVIMENTO. 

Apenas para fins de analogia, esta breve caminhada a cada 30 minutos evitou declínio do fluxo cerebral comparado a algo que ocorreria entre 2 a 4 anos de envelhecimento!!!! 

Ficar sentado por muito tempo parece influenciar negativamente a saúde cerebral, o que confirma algo que todo Profissional de Educação Física repete quase que diariamente: a importância da atividade física e do exercício físico na saúde mental!!!! E esta pesquisa também nos ajuda a compreender um pouco da frase que está se tornando popular: Sentar é o novo Fumar!

 

Referências:

 

Carter, SE et al. Regular walking breaks prevent the decline in cerebral blood flow associated with prolonged sitting. J Appl Physiol 125: 790–798, 2018. [download do artigo]

Pedersen, BK and Saltin, B. Exercise as medicine – evidence for prescribing exercise as therapy in 26 different chronic diseases. Scand J Med Sci Sports 2015: (Suppl. 3) 25: 1–72 [download do artigo]

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