Tudo pela execução motora

 

Na organização de um programa de exercícios físicos, a obediência aos denominados Princípios do Treinamento Físico-Esportivo é fundamental. Estes, têm por objetivo orientar e sustentar todo o planejamento, que deve ser revisitado regularmente, em função das adaptações experimentadas ao longo do mesmo. Individualidade (Biológica), Adaptação, Sobrecarga, (Interdependência) Volume-Intensidade, Continuidade, Especificidade, Variabilidade e (da) Saúde, são balizadores muito importantes quando ‘falamos’ de saúde, qualidade de vida e bem-estar (COSTA, 1996; COSTA, 1998), todavia, quando iniciamos o programa, o mesmo é executado por intermédio de exercícios físicos (obviamente!), ou seja, é materializado pela realização de movimentos, por execuções motoras. Neste sentido, para além da obediência aos princípios supracitados, há que se ter atenção especial ao aprendizado dos movimentos que vão ser realizados.

A falta de cuidado na orientação, ensino, controle e supervisão do programa de exercícios físicos assume gravidade maior ainda quando a qualidade da execução motora (biomecânica do movimento) é negligenciada, potencializando o risco. Normalmente, há predomínio de preocupação no acompanhamento da intensidade do esforço físico, por exemplo, na carga utilizada (peso – força realizada), no controle da frequência cardíaca (zona alvo de treinamento aeróbio), na amplitude máxima de movimento nos ‘alongamentos’ (limiar da dor muscular experimentada como limite da amplitude articular do referido movimento), porém, muito pouco no que tange à execução técnica correta do primeiro, à técnica adequada de corrida, pedalada ou outro, no segundo, e ao alinhamento corporal cuidadoso, no terceiro. Todos, sem exceção, potencializarão desequilíbrios musculares e consequentes lesões, daí a importância do cuidado, do zelo na escolha, orientação, controle e acompanhamento na qualidade de execução do MOVIMENTO. Tomando esta conduta como premissa, iremos, inclusive, influenciar na própria escolha dos exercícios.

 

PRIMEIRO, O DIAGNÓSTICO

Para uma adequada organização do programa de exercícios, é fundamental que se realize uma avaliação físico-funcional. Normalmente, esta aponta para estratificação de risco e verificação do nível de aptidão física do futuro praticante, buscando identificar o nível de condicionamento físico dos principais componentes da aptidão física relacionada à saúde e qualidade de vida (mais comumente, os componentes força, aeróbio e de flexibilidade) em complemento à verificação do percentual de gordura corporal (%G), do índice de massa corporal (IMC) e da relação cintura-quadril (RCQ). Neste diagnóstico, busca-se também verificar os objetivos pessoais do(a) praticante.

Algumas avaliações avançam na direção da verificação do componente neuromotor por intermédio de algum teste relacionado ao movimento, por exemplo, do Functional Movement Screem (FMS - Avaliação Funcional do Movimento) ou teste similar adaptado. Esta conduta, apesar de “não resolver todos os problemas”, aponta na direção da verificação do domínio motor. Seria fantástico se essas avaliações incluíssem a verificação de desempenho em alguns movimentos básicos (agachamentos, abdominais, flexões de braço, por exemplo), não na direção do desempenho quantitativo, mas sim, qualitativo (identificação da experiência motora e possíveis erros de execução). Para que as avaliações físico-funcionais não se tornem muito extensas, normalmente esta última verificação é realizada quando do momento da prescrição do programa de exercícios exigindo, dessa maneira, atenção redobrada do professor (Profissional de Educação Física) que prescreverá o programa pois, comumente, este não é o mesmo profissional que avaliou. A partir dos dados encontrados (medidas), obtemos uma avaliação qualitativa do nível de aptidão física e das necessidades e objetivos do(a) cliente e, com estes, procedemos à seleção do programa, escolhendo os tipos de atividades (contra resistência, cardiorrespiratória, mobilidade articular, funcional) com suas respectivas intensidade, volume, frequência, estratégias, método e periodização.

 

VOLTANDO AO MOVIMENTO (EXECUÇÃO MOTORA)

 

A escolhas das estratégias (seleção de exercícios), obviamente, deve considerar as particularidades do que foi diagnosticado por intermédio da avaliação físico-funcional, devendo considerar, também, a experiência motora do(a) praticante em relação às atividades selecionadas. Para um melhor entendimento, consideremos que temos pela frente um aluno iniciante sedentário e obeso. Considerando a sua pouca experiência motora e estrutura corporal, será que iniciar o seu programa prescrevendo um ‘burpee’ (Figura 1) seria uma boa ideia? E uma corrida na esteira (com inclinação) sob o método HIIT (High-intensity Interval Training – Treinamento Intervalado de Alta Intensidade)? Ou, quem sabe ainda, uma estratégia de equilíbrio sobre plataforma instável (por exemplo, skate) em apoio unipodal?

 

Figura 1 – Exercício Burpee

 

Se as perguntas acima já nos assustam frente à prescrição individualizada de exercícios físicos, imagina se tivéssemos essas situações vivenciadas em atividades coletivas (Ginástica). Considerando a heterogeneidade dos grupos experimentada nas atividades coletivas, com certeza o cuidado na orientação, ensino, controle e supervisão dos exercícios físicos tem que ser redobrado, em casos excepcionais com este. Como podemos mitigar este problema? Como podemos adaptar alunos(as) iniciantes nas Atividades Coletivas? Esta é uma conversa para o nosso próximo encontro em FITNESS DE EXCELÊNCIA.

Até lá!!!

 

REFERÊNCIAS

COSTA, M.G. Ginástica Localizada. Rio de Janeiro: Sprint Editora, 1996.

COSTA, M.G. Ginástica Localizada: Grupos Heterogêneos. Rio de Janeiro: Sprint Editora, 1998.

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